11.5.08

Cobra

De manhã, bem cedo, uma das minhas tarefas consiste em abrir umas quantas portadas para que o sol entre. Todas em madeira, perras na sua maioria, tenho que as abrir por fora.
Depois de alguns puxões, finalmente abre-se a primeira. Estendida junto à base da janela, no espaço deixado livre entre esta e a portada, está uma cobra; uns 40 cm de comprimento, muito escura, olho brilhante que parece mirar-me; o corpo revela alguma tensão - ou será tudo imaginação minha? À memória vêm as histórias e as imagens de filmes de cobras-capelo a prepararem o bote. Ou ainda as firmes recomendações da minha mãe, quando garota, em Moçambique; eram sempre questões de sobrevivência: as cobras, as aranhas portentosas, as centopeias (chegavam a ter 20 cm) que matavam um animal pequeno...
Depois do susto e nojo iniciais mais o guincho histérico que ecoou pelo vale, empurro o resto da portada contra a parede e fico parada a observar, talvez a tentar perceber o que se vai passar em seguida. A cor faz-me lembrar a cobra negríssima de uns 2 metros de comprimento que um dos trabalhadores, o Igor, retirou do telhado há um ano atrás. Mas esta é uma "júnior", tem a grossura de um dedo.
Finalmente avançou ao longo do parapeito, escorregou parede abaixo e enfiou-se num pequeno tufo de ervas.

21.4.08

MISSIONÁRIOS DE S. JOÃO BAPTISTA – NIB 000700000044147202723

A Eugénia Oliveira foi Enfermeira Supervisora no Hospital Pediátrico de Coimbra e desde há algum tempo encontra-se em Nampula, Moçambique, a apoiar um Hospital de Dia de VIH/Sida e uma Missão católica que apoia crianças carenciadas e suas mães.
Não posso deixar de, uma vez mais, transcrever o seu pedido e apelar à generosidade dos amigos.

Sandra
*Na foto, o pequeno Gildo com a mãe


À familia e amigos. Por favor não fiquem indiferentes a este meu SOS. Abram os anexos, divulguem entre a vossa familia e amigos e sejam generosos. Surpreendam-me. Um abraço da Eugénia



SOS – CRIANÇAS EM RISCO
No meu trabalho de voluntária, contacto, diariamente, com crianças desnutridas e infectadas com HIV/SIDA. É uma experiência muito perturbadora e angustiante. É impossível ficar indiferente perante crianças, cujos sinais de desnutrição são tão chocantes. No seu corpo minguado, de rosto envelhecido, cabelo descolorido, ventre aumentado de volume, sobressai um olhar profundo que nos provoca uma enorme inquietação. Choram, quando tentamos o contacto físico, pois tudo nelas é sofrimento. As mães, que as carregaram no ventre, foram vítimas de períodos de fome, facto que condicionou o desenvolvimento do feto
A taxa de prevalência de infecção por HIV nas mulheres é de 16.8%.
O conhecimento científico acerca de transmissão vertical Mãe/Filho, aponta para que 5 a 10% da transmissão acontece durante a gravidez. Este valor duplica durante o nascimento da criança.

Se a mãe amamentar desde o nascimento até aos 24 meses, 10 a 20% das crianças adquirem a infecção por HIV/Sida. Perante estes dados torna-se praticamente inevitável a transmissão da doença. A amamentação, é um valor inquestionável para as mulheres desta cultura, e em muitos casos, a única fonte nutritiva.

O Ministério da Saúde, confrontado com esta epidemia (assim classificada pelo próprio titular da pasta), emitiu algumas medidas, para controlar este devastador panorama de transmissão vertical. Estas normas, recomendam a introdução de substitutos do leite materno, durante os primeiros 6 meses, ou a partir desta idade, nas situações em que, asães não estão clinicamente controladas da sua doença. A introdução da alimentação artificial comporta alguns riscos. No entanto, muitas crianças podem melhorar, se beneficiarem deste tipo de alimentação.
São questões muito importantes, porque a mãe tem de estar consciente da responsabilidade de obter água potável, adquirir conhecimentos sobre a preparação dos biberões, e prever os aspectos ligados à acessibilidade e sustentabilidade financeira para a alimentação da criança. É, na concretização destes dois últimos parâmetros, que todos podemos ajudar. Quando, se recomenda a uma mãe, a substituição do leite materno por leite artificial, é necessário garantir que, alguém lho vai disponibilizar, pelo menos durante seis meses ou um ano.
Na minha experiência, constato que nenhuma família dispõe de possibilidades económicas para adquirir o leite e papas necessárias para sobrevivência do seu filho. Em média, a alimentação de uma criança, custa 30 euros por mês (1 EURO POR DIA), verba que lhes é completamente impossível disponibilizar do magríssimo orçamento familiar.



Há várias maneiras de poderem ajudar a melhorar o futuro destas crianças:

AJUDA INDIVIDUAL – contribuir com um determinado montante mensal
AJUDA COLECTIVA -Criar grupos (4 ou 5 colegas ou amigas) em que cada uma contribua com uma quantia mensal até perfazer aquela verba.
AJUDA FAMILIAR - Fazer uma recolha de fundos entre a família e amigos com o objectivo de sustentar a alimentação mensal de uma criança.




Ajude as crianças a ganharem vontade de sorrir. Não lhes negue essa oportunidade.



6 Biberões de leite para uma criança =preço de 1 bica
Refeições de uma família durante uma semana =preço de 1 pizza familiar
Refeições de uma família durante um mês=preço de um telemóvel da gama mais baixa

AJUDE FAZENDO O SEU DONATIVO PARA A CONTA dos MISSIONÁRIOS DE S. JOÃO BAPTISTA – AJUDA A CRIANÇA Nº 000441472027

NIB 000700000044147202723

Eugenia Oliveira, enfermeira voluntária no Hospital Dia de doentes com HIV /SIDA no Hospital do Marrere – Nampula, Moçambique, em colaboração com os Missionárias de S. João Baptista.

Recolha electrodomésticos velhos

As lojas Worten estão a aceitar electrodomésticos e equipamentos electrónicos velhos, para enviarem para reciclagem.
A campanha decorre até final de Setembro.

15.4.08

Freecycle

O Freecycle promove a doação de itens que "estão a mais" nas nossas casas...
Para quem quer livrar-se de objectos que já não têm utilidade (livros, discos, electrodomésticos, mobiliário, etc., etc. - a imaginação completa as reticências), há a possibilidade de os oferecer a quem os queira (é feio dizer-se que "one woman's trash is another's treasure"? - bem creio que isto se referia originalmente aos ex- mas enfim...).
Este "grupo" virtual encontra-se em no Yahoo - Groups mas é necessário efectuar um login - como qualquer web-dependente naturalmente sabe.
Para ler uma notícia recente, consultem este link.

27.3.08

Descarga às 22.30h

Mais uma vez uma descarga entre Chãs e Vale de Colmeias.
Ouve-se a cascata às dez e meia.

25.3.08

Estou em férias. E a recuperar de uma gripe.
Às oito da manhã ouço um tractor, parado junto à casa. Interrogo-me sobre quem será. É o Sr. Jorge, que vem lavrar os terrenos acima do meu. Afinal, os vizinhos estão a preparar-se para semear batatas... eu não, não sei cuidar delas. Nem tenho a persistência necessária para limpar as ervas todas, que adoooram aparecer.
Visto umas calças de treino e um casaco, subo o quintal e vejo o tractor ao fundo, com as correntes a tilintar. Galgo dois campos, entre as ervas, faço-lhe sinal e peço-lhe para tratar do meu quintal também. Está combinado.
As ervas vão ser cortadas, deixadas a "cerejar"? "serejar"? - não encontro no dicionário, mas sei que quer dizer que ficam a secar. Daqui a uns dias, nova passagem para "frezar", misturar ligeiramente as ervas com a terra, desfazer os torrões que existam. Não quero lavrar, que revolve muito as camadas de terra e mata ainda mais bichos.

20.3.08


Finalmente os dias estão mais longos. Há já algum tempo, eu sei, mas tenho chegado a casa bem mais tarde.
Estava inspirada pela primavera e cheia de saudades de cuidar do jardim. Aí fui com a cortadora de ervas (sim, eu não tenho uma coisa chamada relva), eléctrica e com um fio de corte que tem que ser substuído a cada meio metro de percurso, o belo capacete amarelo que tem uma rede que dificulta a visão, as luvas que afinal deviam ser mais espessas por causa dos picos. Perco mais tempo a levantar a protecção do capacete e a puxar o fio de corte do que a utilizar a máquina.
Mas não interessa. Os braços doem, o ar cheira a ervas frescas, metro a metro fica o quintal com um ar mais organizado.
Posso adicionar "verdes" à composteira, que tem sobretudo "castanhos" e está seca. Nela descobri umas plantas frondosas - batatas? Não me lembro como foram lá parar.
O diospireiro está coberto de flores brancas, os pessegueiros têm flores rosa e umas folhas verdinhas, ainda frescas.